quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SAGRADA FAMÍLIA - Ano B


Refletindo o Evangelho do Domingo

Pe. Thomaz Hughes, SVD

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS - Ano B

Lc 2, 22-40
Ele crescia, cheio de sabedoria e o favor de Deus estava com ele 


Oração do dia
Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Evangelho (Lucas 4,22-40)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
 4,22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23Conforme está escrito na Lei do Senhor: 'Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor.' 24Foram também oferecer o sacrifício - um par de rolas ou dois pombinhos - como está ordenado na Lei do Senhor. 25Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. 27Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29'Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel.' 33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: 'Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma.' 36Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos.  Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele. Palavra da Salvação.

3) Reflexão
O Evangelho da Festa da Sagrada Família, é tirado dos primeiros capítulos de Lucas.  Mais uma vez encontramos um tema muito importante para esse Evangelho – o encontro entre a Antiga e a Nova Aliança.  Durante Advento, Lucas fazia paralelo entre Isabel, Zacarias e João Batista, e Maria, José e Jesus.  No texto de hoje, os justos da Antiga Aliança são representados pelas figuras de Simeão e Ana, profeta e profetiza.  Outros dois temas de Lucas também se destacam nesse relato – o Espírito Santo e a opção pelos pobres.
Lucas destaca que os pais de Jesus foram ao Templo conforme a Lei (cf. Lv 12,8), para oferecer o seu sacrifício – de dois pombinhos.  Na Lei, esse sacrifício era permitido aos pobres!  Mais uma vez, continuando a lição da manjedoura e dos pastores, Lucas sublinha o amor especial de Deus para os pobres.  Deixa bem claro que Maria, José e Jesus eram contados entre eles – como aliás, era toda a população do Nazaré de então!
Simeão e Ana representam, em quase os mesmos termos de Zacarias e Isabel, os justos que esperavam a salvação de Deus – o grupo conhecido no Antigo Testamento como os “anawim”, ou “pobres de Javé”.  É de notar que, no seu canto, Simeão proclama que ele pode “ir em paz” - simbolizando que as esperanças dos justos da Antiga Aliança agora serão realizadas em Jesus.  Como na visitação a idosa Isabel, símbolo também dos justos, acolhia com alegria a chegada de Maria com Jesus, agora Simeão e Ana recebem com a mesma alegria a novidade da Nova Aliança, concretizada em Jesus.  Mais uma vez Lucas coloca juntos homem e mulher, um tema comum nos seus escritos (cf. 4, 25-28; 4, 31-39; 7, 1-17; 7, 36-50; 23,55-24,35; At 16, 13-34).  Assim, Lucas insiste que o homem e a mulher se colocam juntos diante de Deus.  São iguais em dignidade e graça, recebem os mesmos dons e têm as mesmas responsabilidades.
Como já fez em 2, 19 e fará de novo em 2, 50, Lucas frisa que os seus pais não entenderam plenamente ainda o alcance do mistério de Jesus. V. 33 insiste que “o pai e a mãe do menino estavam admirados do que se dizia dele”- mais uma vez nos apresentando José e especialmente Maria como modelos de fé. Apesar de qualquer revelação que eles tivessem, também tiveram que caminhar na escuridão da fé, descobrindo passo a passo o que significava ser discípulo de Jesus.
Jesus “crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria e o favor de Deus estava com ele”.  Mas esse crescimento foi  gradual, como com todos nós, e a sua família tinha um papel importantíssimo no seu crescimento.  Se, como adulto, ele podia nos dar a imagem de Deus como o amoroso Pai – tema tão caro a Lucas- era porque também aprendeu isso através da experiência do seu pai adotivo, José.  Se cresceu na espiritualidade dos anawim, era porque aprendeu isso desde o berço, junto com os seus pais.  Se foi fiel na busca da vontade de Deus, era porque assim se aprendia no ambiente familiar.  Em um mundo como nosso, que desvaloriza a vida familiar, o texto de hoje deve nos animar e desafiar, para que, como Maria e José, na claridade e na escuridão da caminhada, criemos um ambiente onde o amor possa florescer e onde os nossos jovens possam aprender,  como por osmose, a importância do amor nutrido em uma fé viva, na contramão da nossa sociedade consumista e materialista, que vê na família unida uma ameaça aos seus contra-valores.
Ninguém ignora que hoje a família tradicional enfrenta enormes dificuldades.  Diante dos problemas, respostas fáceis não servem.  Nem sempre é óbvio o caminho a seguir.  Novas dificuldades e novas perguntas exigem um novo olhar da parte da Igreja.  Há pouco presenciamos algo – infelizmente - quase inédito na Igreja:– um Sínodo sobre a família onde todos os participantes eram convidados pelo Papa a expressar as suas opiniões abertamente e sem medo!  Como a Igreja precisava disso!  Houve divergências, obviamente, pois nem tudo é claro.  Há quem prefere ignorar a realidade, fechar os olhos diante de problemas reais que causam muitas vezes muito sofrimento no seio das famílias, e refugiar-se em chavões legalistas em lugar de procurar descobrir o que Jesus faria em tais situações.  O Espírito Santo vai iluminar a Igreja e as famílias se realmente buscarmos juntos as maneiras evangélicas a responder aos novos desafios. Rezemos pelas famílias, pelas que estão bem firmes e pelas desestruturadas, e rezemos pelo papa Francisco para que tenha a força e a saúde para continuar a sua grande missão como representante de Jesus, compassivo e misericordioso, nos nosso tempos.

4) Oração (Sl 127/128)

R. Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

1Feliz és tu se temes o Senhor*
  e trilhas seus caminhos!
2Do trabalho de tuas mãos hás de viver,*
  serás feliz, tudo irá bem!

R. Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

3A tua esposa é uma videira bem fecunda*
  no coração da tua casa;
  os teus filhos são rebentos de oliveira*
  ao redor de tua mesa.

R. Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

4Será assim abençoado todo homem*
  que teme o Senhor.
5O Senhor te abençoe de Sião,*
  cada dia de tua vida.

R. Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

BATISMO DO SENHOR - Ano B


Refletindo o Evangelho do Domingo

Pe. Thomaz Hughes, SVD

FESTA DO BATISMO DO SENHOR - Ano B

Mc 1, 7-11
“Tu és o meu Filho bem-amado; em ti encontro o meu agrado”


Oração do dia
Deus eterno e todo-poderoso, que, sendo Cristo batizado no Jordão e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Evangelho (Marcos 1,7-11)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
1,7 João Batista pôs-se a proclamar: "Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. 8 Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo." 9 Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão. 10 No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele. 11 E ouviu-se dos céus uma voz: "Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição." Palavra da Salvação.

3) Reflexão
      Nesse Domingo, que comemora o batismo de Jesus, mais uma vez encontramos a figura do Precursor, João Batista, que foi uma das principais personagens das liturgias do Advento.  Mas, na leitura de hoje, a ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem viria depois dele: literalmente “atrás de mim”.  A expressão, que denota a dignidade, como em um cortejo, põe toda a importância na pessoa que vem – pois tirar as sandálias era serviço de um escravo.  Jesus é o mais importante, pois com a vinda dele inaugura-se o tempo de salvação, esperado naquele tempo por muitas pessoas e grupos (como os Essênios) somente para o fim dos tempos.
         Nesse texto de Marcos, o interesse volta-se menos para o batismo de Jesus como tal, e mais para a revelação divina que se lhe seguiu.  Sendo batizado por João, Jesus coloca-se dentro da humanidade caída, e publicamente assume o compromisso com a vontade do Pai.  A frase “viu os céus rasgarem-se e o Espírito como uma pomba descer sobre si” enfatiza que Deus intervém para realizar as suas promessas (cf. Is 63,19) através do envio do Espírito Santo.  Descendo sobre Jesus, o Espírito o designa como sendo o Salvador prometido e esperado.  A voz do Pai confirma que Ele reconhece Jesus, desde o início do seu ministério público como seu Filho (cf. Sl 2,7), seu bem-amado, objeto da sua predileção.
Um dos sentidos mais importantes do nosso batismo também é o nosso compromisso público com a vontade do Pai.  Todos nós podemos sentir a veracidade da mesma frase usada pelo Pai diante de Jesus – cada um(a) de nós também é verdadeiramente filho(a) do Pai celeste (cf. I Jo 3,1), a quem aprouve escolher-nos.  Nada pode nos separar desse amor divino – nem a nossa fraqueza, nem o pecado (cf. Rm 8,39). O que é importante é reconhecer que Deus nos amou primeiro, incondicionalmente, e cabe a nós responder a este amor gratuito por uma vida digna de filhos e filhas do Pai, no seguimento de Jesus (cf. I Jo 4, 10-11).  Jesus não achou privilégio ser o amado do Pai, mas assumiu as conseqüências – uma vida de fidelidade, que o levaria até a Cruz e a Ressurreição! (cf. Fl. 2,6-11)  Celebrando essa festa litúrgica, renovemos o compromisso do nosso batismo, comprometendo-nos com o seguimento do Mestre, no esforço de criação do mundo que Deus quer, um mundo onde reinam o amor, a justiça e a verdadeira paz.  O nosso batismo confirma que somos parceiros de Deus no ato permanente de criação, fazendo crescer o Reino dele, que “já está no meio de nós” (cf. Mc 1,14).

4) Oração (Sl 28,1a.2.3ac-4.3b.9b-10)

R. Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

1aFilhos de Deus, tributai ao Senhor,*
  tributai-lhe a glória e o poder!
2Dai-lhe a glória devida ao seu nome;*
  adorai-o com santo ornamento!

R. Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

3aEis a voz do Senhor sobre as águas,*
3csua voz sobre as águas imensas!
4Eis a voz do Senhor com poder!*
  Eis a voz do Senhor majestosa.

R. Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

3bSua voz no trovão reboando!*
9bNo seu templo os fiéis bradam: 'Glória!'
10É o Senhor que domina os dilúvios,*
  o Senhor reinará para sempre!

R. Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!





quarta-feira, 17 de outubro de 2012

FESTA DE CRISTO REI


Refletindo o Evangelho do Domingo

Pe. Thomaz Hughes, SVD

FESTA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, 
REI DO UNIVERSO - ANO B



Jo 18, 33b-37

Todo aquele que é da verdade, escuta a minha voz


Oração do dia

Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Evangelho (João 18,33-37)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo: 18 33 Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: “És tu o rei dos judeus?”
34 Jesus respondeu: “Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?”
35 Disse Pilatos: “Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?”
36 Respondeu Jesus: “O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo”.
37 Perguntou-lhe então Pilatos: “És, portanto, rei?” Respondeu Jesus: “Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”.
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho
  
Como é de costume na Igreja Católica, hoje, o último domingo do Ano Litúrgico, celebra-se a festa litúrgica de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. A festa foi estabelecida na época dos governos totalitários nazistas, fascistas e comunistas, nos anos antes da Segunda Guerra, para enfatizar que o único poder absoluto é de Deus. Nos dias de hoje, em que milhões padecem as consequências de um novo tipo de totalitarismo disfarçado, o do poder econômico inescrupuloso, torna-se atual a inspiração original da festa - que Deus é o único Absoluto. Em um mundo que não é ateu, mas idolátrico, pois presta culto ao lucro, a festa de hoje nos desafia para que revejamos as nossas atitudes e ações concretas - para descobrir o que é para nós, na verdade, o valor absoluto das nossas vidas.

O texto é tirado da paixão segundo João - o diálogo entre Jesus e Pilatos sobre a verdadeira identidade de Jesus. Com a ironia que lhe é típico, João faz com que Pilatos - o representante do poder absoluto da época, o Império Romano - apresenta Jesus como Rei, o que Ele é na verdade, mas não da maneira que Pilatos possa entender. O Reino de Jesus é o oposto do Reino do Império Romano - não é opressor, nem injusto, nem idolátrico, mas o Reino da justiça, fraternidade, solidariedade e partilha, o Reino do Deus da Vida.

É exatamente por ter semeado este Reino que Jesus deve morrer - aliás não morrer, mas ser matado, o que é diferente. Pilatos - como acontece nos outros Evangelhos também - demonstra isso quando ele deixa claro quem entregou Jesus, pedindo a sua morte. Não foi o povo, mas, os sumos sacerdotes que o entregaram (v. 35). É importante entender o que isso significa, pois se Jesus foi matado, houve algum motivo, e houve alguém que o matasse. Os sumos sacerdotes eram, no tempo de Jesus, todos nomeados pelos romanos, dentro do partido dos saduceus, o partido da elite jerosalemita, donos de terras e do comércio, e chefes do Templo. O Templo funcionava como Banco Central, centro de arrecadação de impostos, e lugar de câmbio monetário, uma vez que não se aceitava nele a moeda corrente. Jesus, portanto, foi assassinado pelo poder político, econômico e religioso, coniventes com o poder imperialista, representado por Pilatos. Pois, o Reino de Deus se opõe frontalmente com qualquer reino opressor, como era o de Roma.
A realidade vivida por Jesus continua hoje. O seguimento de Jesus, na construção de um Reino de justiça e paz, do shalom de Deus, necessariamente vai entrar em conflito com os reinos que dependem da exploração e da injustiça. Normalmente, esses poderes primeiro vão tentar cooptar a Igreja, para que, em lugar de ser voz profética diante das injustiças, torne-se porta-voz dos valores desses reinos. Não faltarão incentivos, monetários e outros, para que as Igrejas caiam nesta cilada. Por isso, como nos advertiram os textos nos últimos domingos, é mister ficarmos sempre vigilantes, para que verifiquemos se a nossa vida prática está mais de acordo com o Reino de Deus ou o reino de César.
Para João, Jesus traz a grande crise da história. Diante da verdade, que é Ele, todos têm que se posicionar. Ele, como todo profeta, não causa a divisão, mas desmascara a divisão que existe dentro da sociedade, a divisão entre o bem e o mal, entre um projeto da morte e um projeto da vida, uma divisão que permeia todos os elementos da sociedade. Diante d’Ele, não há lugar para meio-termo - todos têm que optar. Por isso, a nossa festa de hoje, longe de ser algo triunfalista, nos desafia para que façamos um exame de consciência - tanto individual como eclesial e comunitário - para verificar se o nosso Rei é realmente Jesus, ou se, mesmo de uma maneira disfarçada ou inconsciente, continua sendo César!


Salmo 92/93

Deus é rei e se vestiu de majestade,
glória ao Senhor!

Deus é rei e se vestiu de majestade,
revestiu-se de poder e de esplendor!

Deus é rei e se vestiu de majestade,
glória ao Senhor!

Vós firmastes o universo inabalável,
vós firmastes vosso trono desde a origem,
desde sempre, ó Senhor, vós existis!

Deus é rei e se vestiu de majestade,
glória ao Senhor!

Verdadeiros são os vossos testemunhos,
refulge a santidade em vossa casa
pelos séculos dos séculos, Senhor!

Deus é rei e se vestiu de majestade,
glória ao Senhor!





33º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B





Refletindo o Evangelho do Domingo

Pe. Thomaz Hughes, SVD

TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B



Mc 13, 24-32

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão 


Oração do dia

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Evangelho (Marcos 13,24-32)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 13,24 disse Jesus a seus discípulos: “Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor;
25 cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas.
26 Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.
27 Ele enviará os anjos, e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu.
28 Compreendei por uma comparação tirada da figueira. Quando os seus ramos vão ficando tenros e brotam as folhas, sabeis que está perto o verão.
29 Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está próximo, às portas.
30 Em verdade vos digo: não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.
31 Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
32 A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai”.
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

O texto de hoje nos apresenta diversas dificuldades de interpretação, pois, está saturado com conceitos apocalípticos, referências veladas a possíveis eventos históricos e referências tiradas de escritos do tempo do Antigo Testamento, muitas dos quais desconhecidos por nós. Porém, a sua mensagem central fica clara - o triunfo final do Filho do Homem, mandado por Deus para estabelecer o seu Reino. A linguagem vetero-testamentária de sinais cósmicos, a figura do Filho do Homem e a reunião dos eleitos de Deus são unidas em um contexto novo, em que a vinda escatalógica de Jesus como Filho do Homem se torna o evento central. A sua vinda gloriosa no fim dos tempos servirá como prova da vitória de Deus - e a expectativa desta chegada serve como base da vigilância paciente que é recomendada aos discípulos ao longo de todo o Discurso Escatalógico de Marcos.

Os sinais cósmicos que antecederão o fim fazem referência a textos do Antigo Testamento: Is 13, 10, Ez 32, 7; Am 8, 9; Jl 2, 10.31; 3, 1-5; Is 34, 4; Ag 2, 6.21. Mas, em nenhum lugar no Antigo Testamento se referem à vinda do Filho do Homem - é uma novidade do Evangelho. A lista desses sinais é uma maneira de dizer que toda a citação assinalará a sua vinda final. A descrição da chegada do Filho do Homem, rodeado das nuvens, é tirada do livro de Daniel 7, 13, mas, aqui se refere claramente a Jesus e não à figura angélica “em forma humana” do livro apocalíptico de Daniel. A ação de Jesus em reunir os eleitos é o oposto de Zc 2, 10. Este reunir-se dos eleitos do seu povo por parte de Deus se encontra em Dt 30, 4; Is 11, 11.16; 27,12. Ez 39, 7 etc. - mas nunca no Antigo Testamento é o Filho do Homem que faz esse trabalho.
A segunda parte do texto consiste em uma parábola (vv. 28-29), um ditado sobre a hora do fim (v. 30), sobre a autoridade de Jesus ( v. 31) e de novo sobre a hora (v. 32). “Nem sempre fica claro a que se refere - o que se fala sobre essas coisas” acontecerem “nessa geração” tem como contrabalanço o v. 32 que diz que somente Deus sabe a hora exata. A parábola sobre os sinais claros da chegada do fim (vv. 28-29) tem em contraposição a parábola da vigilância constante (vv. 33-37). Mas, continua clara a mensagem básica - a vitória final do projeto de Deus, concretizada através de Jesus, o Filho do Homem. Mas, a certeza dessa vitória não dispensa a atitude de vigilância constante por parte dos discípulos, para que não se desviem do caminho.
Pode parecer confuso o nosso texto - e para nós hoje, de uma certa forma o é. Mas, inserido no contexto do Discurso Escatalógico (referente aos tempos finais) do Evangelho, nos traz uma mensagem de esperança e uma advertência. A esperança nasce do fato de que a vitória de Deus é garantida - um elemento fundamental em todo apocaliptismo. A advertência está na necessidade de vigilância constante, para que não percamos a hora do Filho. Em um mundo de desesperança e falta de ânimo por parte de muitos, o texto convida-nos, os discípulos, à uma atitude positiva que nos leva a um engajamento maior em prol da construção do Reino entre nós. Mas, também nos desafia para que estejamos sempre vigilantes para não sermos cooptados pela sociedade vigente, opressora e consumista, que muitas vezes se baseia em princípios contrários aos do Reino de Deus. As palavras de Jesus têm um valor permanente, para que possamos julgar as diversas propostas de vida que o mundo nos apresenta. “O céu a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.

Salmo 15/16

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,
meu destino está seguro em vossas mãos!
Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,
pois, se o tenho a meu lado, não vacilo.

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria
e até meu corpo no repouso está tranqüilo;
pois não haveis de me deixar entregue à morte
nem vosso amigo conhecer a corrupção.

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto a vós, felicidade sem limites,
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!