quarta-feira, 13 de junho de 2012

16º DOMINGO COMUM - ANO B



Refletindo o Evangelho do Domingo

Pe. Thomaz Hughes, SVD

16º DOMINGO COMUM - ANO B

Mc 6,30-34

Jesus teve compaixão

Oração do dia

Ó Deus, sede generoso para com os vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Evangelho (Marcos 6,30-34)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
6,30 Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado.
31 Ele disse-lhes: "Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco". Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer.
32 Partiram na barca para um lugar solitário, à parte.
33 Mas viram-nos partir. Por isso, muitos deles perceberam para onde iam, e de todas as cidades acorreram a pé para o lugar aonde se dirigiam, e chegaram primeiro que eles.
34 Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
Palavra da Salvação.

COMENTÁRIO

        Até uma leitura superficial do texto de hoje faz saltar aos olhos um tema muito central - o da “compaixão” de Jesus. Aliás, os evangelhos todos - e especialmente Lucas - enfatizam este aspecto da personalidade e da missão de Jesus. Ele demonstrou a quem o encontrasse a verdadeira natureza de Deus: de ter compaixão para todos os que sofrem.

Os versículos de hoje demonstram este traço de Jesus no seu relacionamento com os discípulos e com as multidões.
Com os discípulos, Ele ressalta a necessidade de descanso depois das tarefas apostólicas. Quando voltam empolgados com os resultados da missão, a primeira reação do Mestre é convidá-los para uma retirada, para que possam refazer as forças. Jesus tem critérios que não correspondem com o grande critério da nossa sociedade - o da eficácia! Para Ele, os apóstolos não eram máquinas, mas pessoas humanas que necessitavam de serem tratadas como tal. O trabalho - mesmo o trabalho missionário - não é o absoluto. Jesus reconhece a necessidade de um equilíbrio entre todos os aspectos da vivência humana. Aqui há uma lição para muitos cristãos engajados hoje - embora devamos nos dedicar ao máximo pelo apostolado, não devemos descuidar das nossas vidas particulares, do cultivo de valores espirituais, da saúde e do relacionamento afetivo com os outros. Caso contrário, estaremos esgotados em pouco tempo, meras máquinas ou funcionários do sagrado, que não mostram ao mundo o rosto compassivo do Pai.
Mais ainda, o texto ressalta a compaixão de Jesus para com o povo sofrido. Era tão procurado pelo povo, rejeitado e desprezado pelos chefes político-religiosos de então, que nem tinha tempo para comer. Quando Ele se retirava, o povo ia atrás d’ Ele. O que atraía tanta gente? Com certeza não foi em primeiro lugar a doutrina, nem os milagres, mas o fato de irradiar compaixão, de demonstrar de uma maneira concreta o amor compassivo de Deus. Jesus não teve “pena” do povo, não teve “dó” dos sofridos. Teve “compaixão”, literalmente, sofria junto, e tinha uma empatia pelos sofredores, que se transformava numa solidariedade afetiva e efetiva.
Este traço da personalidade de Jesus desafia as Igrejas e os seus ministros hoje, para que não sejam burocratas do sagrado, mas irradiadores da compaixão do Pai. Infelizmente a frieza humana frequentemente marca as nossas atitudes, pregações e cuidado pastoral. Em um mundo que exclui, que marginaliza e que só valoriza quem consome e produz, o texto de hoje nos desafia para que nos assemelhemos cada vez mais a Jesus, irradiando compaixão diante das multidões, hoje, como dois mil anos atrás, semelhantes a “ovelhas sem pastor”.

Salmo responsorial 22/23

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me! 

O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.
Pelos prados e campinas verdejantes
ele me leva a descansar.
Para as águas repousantes me encaminha
e restaura as minhas forças.

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me! 

Ele me guia no caminho mais seguro,
pela honra do seu nome.
Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,
nenhum mal eu temerei;
estais comigo com bastão e com cajado;
eles me dão a segurança!

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me! 

Preparais à minha frente uma mesa,
bem à vista do inimigo,
e com óleo vós ungis minha cabeça;
o meu cálice transborda.

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me! 

Felicidade e todo bem hão de seguir-me
por toda a minha vida;
e na casa do Senhor habitarei
pelos tempos infinitos.

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me! 





15º DOMINGO COMUM - ANO B


Refletindo o Evangelho do Domingo

Pe. Thomaz Hughes, SVD

15º DOMINGO COMUM - ANO B

Mc 6,7-13 

Dava-lhes poder sobre os espíritos maus

Oração do dia
Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão e abraçar tudo o que é digno desse nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Evangelho (Marcos 6,7-13)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
6,7 Então, Jesus chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos.
8 Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto;
9 como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas.
10 E disse-lhes: “Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali.
11 Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele”.
12 Eles partiram e pregaram a penitência.
13 Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam.
Palavra da Salvação.

Comentário

        Esses versículos dão início ao terceiro e último bloco da primeira parte do Evangelho de Marcos (6,6b-8,21) que podemos intitular “a cegueira dos discípulos”. É a continuidade dos primeiros dois blocos que tratavam da cegueira das autoridades e dos parentes de Jesus. O nosso texto trata da missão dos discípulos. Vale a pena examinar mais de perto as frases que Marcos usa.

O primeiro elemento é que a missão de Jesus, o de construir o Reino de Deus, continua na missão dos discípulos. A base da missão é o compromisso com Jesus e o seu projeto. Em nossos termos hoje, cumpre lembrar que a origem da missão está no nosso batismo. Todos somos Discípulos-Missionários. Se somos clero, religiosos ou leigos é secundário. A missão comum vem do batismo comum de todos nós. A maneira de vivenciarmos a missão pode ser diferente e variar; mas, a missão é fundamentalmente igual.
Ele os enviou dois a dois. Uma maneira bonita de mostrar que a missão cristã é comunitária! Não existe um cristianismo individualista. A nossa fé tem consequências profundas comunitárias. Um alerta para que não caiamos na tentação de criarmos uma religião individualista e intimista, tão comum no nosso mundo de competitividade e pós-modernidade.
Jesus dava-lhes poder sobre os espíritos imundos! Claro, aqui se expressa uma realidade importante nos termos da cosmovisão da época. “Espíritos imundos” significam tudo que pudesse se opor ao Reino. Tudo cujos valores fossem diferentes do Reino. Infelizmente, ainda hoje muitos interpretam essas palavras ao pé da letra, e criam uma religião que sataniza e demoniza quase tudo, uma religião de exorcismos e diabos - mas sempre no nível intimista e individual. Devemos nos perguntar - quais os espíritos imundos em nós, nas nossas comunidades, na nossa sociedade, que precisam ser expulsos? Não é difícil achá-los: tudo que se opõe à vida, à dignidade humana, à justiça e à solidariedade. Onde se vive o Evangelho, não há lugar para o espírito de individualismo, de competitividade, de exclusão, que é característica da nossa sociedade neoliberal, nossa sociedade de morte! O cristão não pode compactuar com tal sociedade e com as suas estruturas. As nossas celebrações não são para nos refugiarmos nelas, mas para nos fortalecermos na luta pelo mundo novo, pela utopia de Jesus! Por isso, em primeiro lugar, os discípulos tinham que se libertar do espírito de acúmulo - não levar coisas, como sinal da chegada do Reino.
Mas, Jesus os adverte que nem todos iriam acolher a sua mensagem - pois a mensagem de Jesus necessariamente entra em conflito com o espírito do egoísmo, enraizado na sociedade. Vale para os nossos tempos - uma Igreja comprometida com os valores do Evangelho será uma Igreja rejeitada pelos poderes desse mundo. Quando somos bem aceitos por todos, é porque não questionamos, porque perdemos a nossa voz profética! A Igreja verdadeira suscita mártires (literalmente, testemunhas) e não acomodados!
O nosso texto nos convida a um exame de consciência sobre a “missionariedade” da nossa vida. A minha vida, a da minha comunidade, se resumem na vivência interna das estruturas da Igreja, ou me leva a ser testemunha no meio da sociedade, profetizando e demonstrando a chegada do Reino, não tanto pelas palavras, mas pelos valores que vivencio? Uma Igreja que não seja missionária (que não significa ser prosélita) é uma Igreja morta. Lembremo-nos que, pelo batismo, somos todos discípulos-missionários, continuadores da missão de Jesus!


Salmo 84/85

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade
e a vossa salvação nos concedei!

Quero ouvir o que o Senhor irá falar:
é a paz que ele vai anunciar.
Está perto a salvação dos que o temem,
e a glória habitará em nossa terra.

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade
e a vossa salvação nos concedei!

A verdade e o amor se encontrarão,
a justiça e a paz se abraçarão;
da terra brotará a fidelidade,
e a justiça olhará dos altos céus.

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade
e a vossa salvação nos concedei!

O Senhor nos dará tudo o que é bom,
e a nossa terra nos dará suas colheitas;
a justiça andará na sua frente
e salvação há de seguir os passos seus.

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade
e a vossa salvação nos concedei!